sexta-feira, junho 23, 2006

Resta ...


O teu riso

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

Pablo Neruda

sexta-feira, junho 16, 2006

e entardeceu...


e a noite já évem...
calma teu coração...
a penumbra cega nós
os pensamento veve no nosso peito
degusta os prazê!

muito prazê!

terça-feira, junho 13, 2006

São quatorze tiranas em chagas no peito do cantador...

Procurei uma palavra, já que todas não me bastavam.
Encontrei um pássaro encantado e sua clausura num oceano de signos.
Era a liberdade e a tentativa de catalogá-la.

Fui adiante. Procurei um pouco mais.

Procurei uma sugestão, já que todos os objetivos sozinhos são rasos.
Desencontrei a quietude e sua luz na retina do comum.
Era a vontade e a concreta solução das ilusões.

Arrisquei um próximo passo. Escolhi a trilha mais aberta.

Procurei um vazio, já que todos os cheios transbordam.
Encontrei uma estrada bem sinalizada e suas placas e letreiros.
Era a absorção de um pano encharcado na resposta da ausência.

Quis buscar a fonte da primeira ponte que atravessei.

Procurei um motivo, já que todas as explicações não satisfazem.
Respirei um furacão diferente e seus relâmpagos de outras verdades.
Era um sonho e sua neblina de indagações.

Estou. Qualquer linha reta é uma encruzilhada.
Vou. Desde que a fera seja selvagem.
Não sei. Estou. Não importa.
O nome. O tempo. A forma. O ponto final.

sábado, junho 10, 2006

Cantilena de Lua Cheia...

De diante em agora...passo.
O laço surreal do esquecimento sob a ótica estática do movimento.

Afora a dentro...passo.
O nó real da ausência é pleno. Rapto dos desencontros pelo caminho.

Soluciona-me a certeza...passo.
A lâmina afiada para abrir histórias sobre o intangível.

Caos peregrino...passo.
Há olhos de onda de mar nas faces do Amor. O fogo está chegando!

Provoca-me...passo.
Viagem boa só com medo.

segunda-feira, junho 05, 2006

Tempus Fugit...

Repetindo monotonamente:
tempus fugit... tempus fugit...

Questionei! Quando é que aprenderemos a contar o tempo?
A sabedoria se inicia quando aprendemos a contar o tempo?
Quem conta o tempo sabe que não há soma, apenas subtração.
E é por isso que as cartas terão de ficar sem resposta.
Entendo e buscarei o perdão...
Se não o encontrar é porque não é amor!
É chegada a hora de me acostumar com a prateleira vazia...
...de um vazio tão bonito quanto a descoberta do amor!
Estou nu e mergulho na água da minha imaginação...
Sou pluma ao vento da liberdade!
Sou rocha que resiste às tempestades!

quinta-feira, junho 01, 2006

Pinico pra elas!!!

Se em lágrimas de densidade escarlate o mundo completa seu ciclo...atroz é o destino exposto:em opressores <===> os frágeis reféns. Não há acordo. Só há uma prazerosa degustação! Ora se devora o quente, ora o efeito se sente do psico-somático comprimido de novalgina!