
O teu riso
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
Pablo Neruda
9 comentários:
...
Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.
Pablo Neruda
Tira a flor sim!!!
rasgo o eixo e seifo a cômoda inércia do aguardar!
Que eu sou teu homem... vil!
Ninguém ignora se ela quer brotar...
Mel
Eu quero mel
Quero mel de toda flor...
Não é o mel
é o nectar...
suas irmãs operárias
é que têm o mel como receita!
Se é de todo vulnerável
Há de ser bonito...
e infinitamente livre
Não tenho cura...
Não fico bem em nenhuma moldura
Sou o que extrapola
Protegido da razão
Alcanço,
às vezes,
a calda da imaginação....>>que voa!
Em muitas ocasiões
sou perseguido
como sonho ou como bandido...
O que eles não sabem
é que sou
a eterna visita de um foragido!
Que quando faz morada
transforma o lar
Esta casa que estando adormecida
estremece ao despertar...
Tu..tutu...tu...tutU...tu..tutu!
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